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O desemprego na antessala

Fonte: Site da Carta Capital
21 de janeiro de 2009



Depois de bater à porta e pedir passagem, a crise internacional entrou nos primeiros lares brasileiros. O nível de emprego na indústria, medido pelo IBGE, recuou 0,6% em novembro, após se manter praticamente estável, em -0,1%, no mês anterior. O resultado é o pior desde outubro de 2003, quando a queda foi de 0,7%. Os novos números se referem aos meses de agravamento da turbulência financeira, mas empresas e sindicatos pintam um quadro pouco animador neste início de 2009.

As montadoras de automóveis, primeiras a se ressentir da queda de vendas e segurar o ritmo de produção, saíram na frente também nas demissões. Na segunda-feira 12, a GM antecipou o fim dos contratos de 744 empregados temporários na fábrica de São José dos Campos (SP). A Volvo já havia anunciado o corte de 430 funcionários em Curitiba. Em dezembro, a cadeia automotiva demitiu 3.208 trabalhadores. Isso, apesar de muitas empresas continuarem a lançar mão de medidas paliativas, como redução de turnos e férias coletivas, enquanto aguardam uma reação na demanda.

O presidente Lula prometeu, para breve, novas medidas para incentivar os investimentos e gerar empregos. E ressaltou a importância de reverter a tendência de fechamento de postos de trabalho ainda nos primeiros meses do ano. “Se não tomarmos a iniciativa de fazer as coisas acontecerem neste primeiro trimestre, aí, sim, podemos correr o risco de fazer com que a crise chegue mais forte”, afirmou.

As primeiras demissões em massa estimularam o debate entre entidades empresariais, como a Fiesp, e os sindicatos. De um lado, o pleito é a possibilidade de adotar medidas excepcionais, como a redução da jornada de trabalho e de salários. Do outro, pressões sobre o governo por medidas que tornem mais difícil demitir por conta da crise. Os meios são radicalmente diferentes, mas o objetivo é o mesmo: impedir que a crise bata nos empregos e comprometa definitivamente a trajetória de crescimento da economia.


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