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Lá em Bali, aqui no ABC

Wanderley Salatiel
12 de dezembro de 2007



“Lá em Bali....”: desde o último dia 04 temos ouvido com freqüência a frase que dá início à reportagem sobre a reunião de Bali, Indonésia, onde se debate o futuro do planeta frente às mudanças climáticas cujos efeitos danosos ainda podem ser contidos caso se chegue a um acordo sobre as medidas necessárias para reduzir a emissão de gases do efeito estufa que têm ocasionado a elevação da temperatura do planeta, causando o degelo, a elevação do nível dos mares, a freqüência dos ciclones e a desertificação de territórios.

O assunto é complexo, pois as medidas atenuadoras da tragédia significam mudanças na economia dos países industrializados ou em processo de industrialização e mexe com setores poderosos da indústria.

Mas algo necessita ser feito, e rápido, para que os efeitos das mudanças climáticas não sejam tão devastadores – principalmente para os pequenos Países insulares e os agrícolas. Ou para os pobres de um modo geral, que vivem em zonas de risco da periferia, nos morros onde ocorrem os deslizamentos, nas áreas sujeitas a inundações.

O governo do Presidente Lula tem feito a sua parte, priorizando o desenvolvimento dos bio-combustíveis e o aumento da produção de etanol, diminuindo o desmatamento na Amazônia e diversificando a matriz energética brasileira em diversas fontes.

Mas a responsabilidade não cabe apenas ao governo federal. Os governos estaduais e as prefeituras devem fazer a sua parte, adotando redes de iluminação pública econômicas, melhorando a qualidade do consumo de água, mapeando as zonas de risco de enchentes e desmoronamentos, adotando leis que obriguem os edifícios a diminuírem o consumo de energia, de gás e de água, ampliando as áreas verdes e retendo a emissão de gazes dos lixões e incineradores.

As empresas – maiores consumidores - devem seguir o mesmo caminho: adotarem tecnologias que reduzam a emissão de gazes do efeito estufa como o CO2 e o metano, fazendo uso, inclusive, do mecanismo de crédito de carbono que permite transformar em empregos e recursos financeiros, as medidas mitigatórias.

“Aqui no ABC....”: essa é a frase que devemos começar a escrever com freqüência nos jornais, na imprensa sindical, nos discursos das câmaras legislativas, no pronunciamento dos prefeitos e outras autoridades públicas e lideranças comunitárias.

Aqui no ABC nós temos que avaliar com rapidez o que devemos fazer para garantir o crescimento econômico sustentável, que gere emprego de qualidade e não polua o meio ambiente, garantindo a qualidade de vida das gerações futuras.



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